Literatura

……..A entrada a Lisboa pode ser,só por si, um deslumbramento, sobrevoando o Tejo ou de barco subindo o rio admirando a linha da costa de Cascais, descobrindo velhos prédios onde fervilha o vai-e-vem dos moradores e o tráfego na sinuosa estrada marginal.
……..O Terreiro do Paço, uma das mais belas praças da Europa com as chapadas luminosas de cor de ocre dos edifícios e a estátua equestre do Rei D.José a que o tempo e as pombas da cidade deram uma patine de verdes e negros realçando o império da autoridade real de outros tempos.
……..Por toda a Lisboa um sem número de igrejas e capelas testemunham a fé cristã e católica com mais de oitocentos anos e os jardins proporcionam momentos de repouso na caminhada dos turistas para o museu mais próximo.
……..Sobre uma colina da cidade o majestoso Castelo de S.Jorge, núcleo de resistência contra os invasores. Habitaram-no visigodos e depois muçulmanos que o dotaram da "Cerca de Moura". Foi o nosso primeiro rei de Portugal D.Afonso Henriques quem colocou o seu pendão no Castelo Árabe. A seu lado cruzados de terras da Europa Central e do Norte, as mesmas a que agora nos aliámos, num regresso do filho pródigo que se envolvera em Áfricas, Ásias e Américas, um festival de emoções e alegrias, um rio de lágrimas que Camões,o poeta português por excelência, com estátua no largo acima do Chiado, evoca nos Lusíadas.
……..A juventude da cidade senta-se à volta de outro poeta, Fernando Pessoa, captado num bronze, sentado a uma mesa a ver quem passa. Aí "faz a boca" com o café, hábito ancestral,gostoso e acre, e o pastelinho de Nata, uma das glórias,um dos pecados mais ternos da doçaria portuguesa.

 

 

A Ditosa Pátria


Eis aqui, quase cume de cabeça
De Europa toda,o reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o Mar começa
E onde o febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floresça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora;e lá na ardente
África estar quieto o não consente.
Esta é a ditosa Pátria minha amada
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne,com esta empresa já acabada
Acaba-se esta Luz até comigo.

Luís de Camões


ARTUR PEREIRA
Caracas-Venezuela

                       

          Publicado em www.lusilinha.com  1ª ediçao do mês de junho de 2004.

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