Amalia Rodrigues (VIDEOS)

 
                 
AMÁLIA E FADO

À altura da sua estreia, perpetuou-se a ideia de que "Fado — História de uma Cantadeira" era uma biografia

 romanceada de Amália. Nada, contudo, mais longe da verdade neste melodrama folhetinesco que Perdigão

Queiroga dirigira a partir de um guião original de Armando Vieira Pinto e que antecipava em quinze anos a célebre máxima de "O Homem que Matou Liberty Valance": "print the legend".

                

AMÁLIA E O CINEMA

 

Amália não se achava actriz; apenas uma cantora a quem as oportunidades de fazer outras coisas foram

caindo do céu. Talvez por isso — e pelo facto de os cineastas pretenderem mais moldar as personagens à

figura e à presença de Amália do que desafiá-la a representar verdadeiramente — foram apenas sete as

 longas-metragens em que surgiu. Amália disse a Vítor Pavão dos Santos que nem viu algumas delas,

 o que não as impediu de se tornarem êxitos de público.

     

  

OS DISCOS

Amália era já uma estrela em solo português quando chega ao disco pela primeira vez. Durante a década de 40,

as propostas de gravação feitas a Amália foram sendo recusadas pelo seu empresário da altura, José de Melo,

 temeroso que o disco de 78 RPM então em progressiva divulgação viesse prejudicar a carreira de palco da artista. Os dezasseis temas que Amália regista nos estúdios da companhia brasileira Continental, em 1945, durante uma estadia profissional de grande sucesso no Rio de Janeiro, apenas são gravados porque nunca ninguém pensou que os 78 RPM resultantes chegassem a Portugal

   

A CARREIRA

 

Uma das figuras mais emblemáticas da cultura portuguesa do século XX, Amália Rodrigues é um farol que

 baliza toda a evolução do meio musical português. Iniciada numa altura em que era através do palco que

 a reputação se ganhava e retirando-se em pleno domínio televisivo, a carreira daquela que foi durante muitos

 anos a embaixadora cultural de Portugal acabou por atravessar todas as grandes alterações do mercado cultural e comercial em que se inseria.

      

CRONOLOGIA

Os anos que marcaram a vida de Amália.

 

 

1920 – Amália da Piedade Rodrigues nasce em Lisboa.
1929 – É durante a escola primária (frequenta a escola da Tapada da Ajuda) que canta pela primeira vez em público. Até aí, cantara só para a família, e especialmente para o avô, que gostava de a ouvir.
1935 – Começa a trabalhar numa banca de recordações no Cais da Rocha do Conde de Óbidos. É convidada para sair na Marcha de Alcântara, cantando como solista. Faz a sua primeira apresentação pública, acompanhada pelo tio à guitarra.
1938 – Concorre ao Concurso da Primavera. Não chegará a participar na competição, mas nos ensaios é notada por um "olheiro" do Retiro da Severa, cujo gerente a convida para se juntar ao elenco daquela casa de fados. Amália declina inicialmente o convite. É também nos ensaios que conhece o seu primeiro marido, Francisco da Cruz, guitarrista amador e torneiro mecânico.
1939 – A sua estreia no Retiro da Severa causa sensação em Lisboa.
1940 – Transfere-se para o Solar da Alegria como artista exclusiva, e estreia-se na revista com "Ora Vai Tu!".
1943 – Actua pela primeira vez no estrangeiro, em Madrid, a convite do embaixador Pedro Teotónio Pereira. É a esta viagem que Amália diz dever o seu prazer em cantar canções espanholas e flamenco. Separa-se de Francisco da Cruz.
1944 – Cria o "Fado do Ciúme" na opereta "Rosa Cantadeira". Viaja pela primeira vez para o Brasil, onde o sucesso é tão grande que a sua estadia de seis semanas é prolongada para três meses.
1945 – Regressa ao Brasil para uma estadia de quase um ano, acompanhada por uma companhia teatral. Aí apresenta uma revista, "Boa Nova", e "Rosa Cantadeira", e grava igualmente os seus primeiros discos.
1946 – É vedeta da opereta "Mouraria", numa nova montagem pensada especificamente para o seu estatuto.
1947 – Estreia "Capas Negras", que marca a sua estreia no cinema e bate todos os recordes de bilheteira nessa altura, e, seis meses depois, é a vez de "Fado – História de uma Cantadeira".
1949 – Divorcia-se de Francisco da Cruz. Canta pela primeira vez em Paris e em Londres. Estreia "Vendaval Maravilhoso".
1950 – Actua nos espectáculos do Plano Marshall pela Europa, como única intérprete ligeira no meio de um elenco predominantemente clássico.
1951 – Grava pela primeira vez em Portugal, para a editora Melodia (Rádio Triunfo).
1952 – Actua pela primeira vez em Nova Iorque, no La Vie En Rose, onde ficará 14 semanas em cartaz. Assina contrato com a Valentim de Carvalho.
1953 – Grava as suas primeiras colaborações com David Mourão-Ferreira, "Primavera" e "Libertação".
1954 – Estreia-se no Mocambo, em Hollywood. Participa no filme "Os Amantes do Tejo", onde interpreta "Solidão (Canção do Mar)" e "Barco Negro".
1955 – Interpreta a Severa numa encenação do drama de Júlio Dantas "A Severa".
1956 – Actua pela primeira vez no Olympia de Paris, numa das festas de despedida de Josephine Baker. Dias mais tarde, estreia-se no Olympia como "vedeta americana", encerrando a 1ª parte do espectáculo. O sucesso é tal que, terminado o contrato, é convidada para o prolongar mais três semanas. No ano seguinte, estreia-se naquela sala como primeira vedeta.
1958 – Assina contrato com a editora francesa Ducretet-Thomson. Actua no filme "Sangue Toureiro", e estreia-se na televisão portuguesa, no papel principal da peça "O Céu da Minha Rua", de Romeu Correia.
1961 – Casa-se com César Seabra, que conhecera no Brasil anos antes, e com quem continuará casada até à morte de Seabra no início da década de 90. Tira um "ano sabático" durante o qual se afasta do olhar público, sem gravar nem actuar ao vivo.
1962 – Regressa aos discos e à Valentim de Carvalho. Grava e edita o célebre LP "Amália Rodrigues", mais conhecido como "Busto", com músicas de Alain Oulman.
1964 – Aceita o papel principal do filme "As Ilhas Encantadas", durante cujas filmagens conhece o fotógrafo Augusto Cabrita. Actua em "Fado Corrido", filme de Jorge Brum do Canto baseado num conto de David Mourão-Ferreira.
1965 – Edita o célebre EP em que canta Camões, e o álbum "Fado Português". "As Ilhas Encantadas" estreia com má recepção crítica e pública.
1966 – Actua no Lincoln Center de Nova Iorque com o maestro André Kostelanetz, num concerto de temas folclóricos portugueses acompanhados a orquestra, cujo sucesso a leva a repetir a experiência em estúdio com "Amália Canta Portugal".
1967 – Faz uma temporada no Olympia como primeira figura de um espectáculo inteiramente composto por um elenco português, do qual fazem parte Simone de Oliveira, o Duo Ouro Negro e Carlos Paredes entre outros.
1968 – Edita "Vou Dar de Beber à Dor", que se tornará num dos seus maiores êxitos.
1969 – Actua pela primeira vez na União Soviética.
1970 – Actua pela primeira vez em Itália e no Japão, e recebe a condecoração de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras em França. Edita "Amália / Vinicius", gravado ao vivo em sua casa num serão que contou com a presença de Vinicius de Moraes, e o clássico "Com que Voz", orientado por Alain Oulman e David Mourão-Ferreira, que recebe vários prémios internacionais.
1971 – Participa na telenovela brasileira "Os Deuses Estão Mortos", da TV Record.
1972 – Grava um álbum com o saxofonista de jazz Don Byas e apresenta no Canecão do Rio de Janeiro, durante um mês inteiro, o espectáculo "Um Amor de Amália".
1973 – Grava um álbum de canções italianas, "A una Terra che Amo".
1974 – É publicado o álbum "Encontro – Amália e Don Byas", bem como "Amália no Café Luso", com o registo inédito de uma

apresentação ao vivo dos anos 50. Após o 25 de Abril, retira-se temporariamente da vida pública, enquanto as suas gravações

antigas continuam a ser reeditadas. 1977 – Edita o seu primeiro álbum de material original em sete anos, "Cantigas numa Língua Antiga",

com músicas de Alain Oulman.
1980 – Edita "Gostava de Ser Quem Era", o seu primeiro álbum de material inédito em três anos, composto por dez fados originais com letras da própria Amália, escritas em sua casa durante a convalescença de uma doença. Os anos seguintes serão um período difícil, com inúmeros problemas de saúde obrigando a operações delicadas.
1982 – Edita "Amália Fado", onde recria fados de Frederico Valério.
1983 – Edita o seu último álbum de material original publicado em sua vida, "Lágrima".
1987 – É editada a biografia oficial de Amália por Vítor Pavão dos Santos, director do Museu Nacional do Teatro, bem como o primeiro CD de Amália — "Sucessos", uma compilação concebida originalmente para o mercado internacional.
1995 – Na passagem do 75º aniversário de Amália, a RTP transmite a série documental "Amália – uma Estranha Forma de Vida", cinco episódios de uma hora dirigidos por Bruno de Almeida incluindo muitas imagens de arquivo provenientes dos cinco cantos do mundo e nunca antes exibidas em Portugal.
1999 – A 6 de Outubro, Amália deixa-nos

         

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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